quinta-feira, 24 de junho de 2021


O Masterchef está há anos na programação, obviamente mostrando seus sinais de cansaço, inclusive perdendo pela primeira vez uma de suas notáveis juradas. E mesmo assim, com seus problemas e tropeços é uma competição e entretenimento culinário que o Mestre do Sabor jamais será. 

Pois se o primeiro, logo de cara em sua estreia, foi arrebatando e recrutando cozinheiros amadores, profissionais e entusiastas num tremendo sucesso, o segundo estreou praticamente natimorto e imperceptível aos olhos de qualquer um, seja este interessado em comida, disputa, entretenimento ou qualquer outra estranha curiosidade. 

O mais impressionante é que, ainda que mal das pernas, sempre haverá um fã esperando a próxima temporada do Masterchef pra comparar, comentar e analisar coisas que serão exclusivas da nova edição. Enquanto que Mestres do Sabor sempre passou e passará batido, porque menospreza o principal elemento que faz programas como este serem bem sucedidos. Pois mais que a comida, o interesse está nas pessoas, nos cozinheiros e no fator humano que as motiva a competir pelo sonho da gastronomia. 

Sendo assim, o programa que se sagrou as terças, trouxe pra tela e pra vida dos telespectadores a cada temporada, rostos jovens e maduros, grandes vilões e mocinhos, garotas perdidas, ranços, personagens cômicos, situações inusitadas, dramáticas e até heroicas. Tudo isso numa única cozinha, acompanhada de um mezanino e muito tempero. 
Já o programa das quintas não tem química com o público e nem procura ter, engessado que está desde o princípio, numa única dinâmica e apresentadores por todos os cantos. Os competidores por sua vez, aparentam estar numa excursão gastronômica cozinhando com o melhor amiguinho a tira colo. Sem falar que o ganhador fica evidente desde o começo da temporada, e coincidentemente é o que mais ganha destaque, passa milagrosamente por perrengues sutis e abraça a causa da competição pra si. 

Cabe aos outros serem os esforçados coadjuvantes, produzindo pratos que quem assisti não entende e não interessa conhecer. O julgamento também é uma coisa sem emoção, feita na ponta do garfo com comentários automáticos e cozinheiros sofríveis do lado de fora, que são eliminados tão anônimos e transparentes quanto chegaram ao som de trilhas sonoras rotatórias. 

Finalmente, quanto aos jurados, se o Masterchef gerou verdadeiros ícones queridos da gastronomia brasileira, sendo que dois nem aqui nasceram, coube ao Mestres do Sabor já trazer grandes nomes da cozinha que não conseguem se fazer grandes o suficiente, tamanho o número de apresentadores / jurados que disputam um minuto de atenção em frente as câmeras. Sejam eles assistentes ou não!

Dentre eles, há sempre uma mulher e se Paola Carosella foi a fada sensata, deusa da empanada, terror dos amadores, cobiçada por alguns além da cozinha e por aí vai... Kátia Barbosa não demonstra qualquer tipo de força, sem conseguir se firmar entre os outros dois companheiros de palco. Seu time durante as três temporadas sempre se mostrou inexpressivo, vencendo raramente alguma prova e jamais se safando na berlinda da eliminação. 


Além disso, é visível como alguns sempre são salvos em detrimento de outros que parecem convenientemente rodar a certa altura da competição. Em sua maioria, mulheres que são eliminadas sem uma explicação plausível. Inclusive, até hoje nenhuma teve real destaque na cozinha do programa. Pode ser que não tenham o que era pedido na ocasião, mas essa questão segue sem resposta. 

Os ganhadores, como dito antes, são profissionais que estranhamente encaixam perfeitos demais num roteiro da jornada do herói, também envoltos numa vitória sonsa e morna que parece ser o desfecho pro conjunto da obra insignificante de todo o programa. Lembrando que o Masterchef sempre trouxe disputas acirradas que nem sempre agradaram o público, e visto algumas pessoas que venceram, podemos acreditar que só pode ter sido em função do sabor. 

Enfim, depois de todo esse longo desabafo sobre resenhas culinárias, segue a constatação de que Mestres do Sabor seguirá numa linha reta e mortal, tentando encontrar uma luz na escuridão do forno em que se enfiou e nunca saiu, não importa o quanto tenha tentado. O programa jamais se encontrou. 


Quanto ao Masterchef, este serviu um banquete suculento por anos e sempre alimentou seu público com fartura, porém de uns tempos pra cá o menu tem sido requentado demais, perdendo o sabor original e o prazer da novidade. Quem sabe com uma nova jurada e um elenco metade celebs o programa possa renascer? Vamos aguardar, mas não muito senão a comida esfria! 

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